Contribuição das Células Satélites na Hipertrofia Muscular Esquelética Induzida pelo IGF-1 [Paper]

Um trabalho publicado a um bom tempo atrás no periódico da Scandinavian Physiological Society por Barton-Davis e colaboradores contribuiu para o melhor entendimento das ações do IGF-1 sobre o processo de hipertrofia muscular e, por isso, vou relatá-lo aqui. Não se trata de uma tradução, mas sim de uma apresentação do mesmo, o que a partir de agora farei com frequência aqui no blog, compartilhando informações interessantes de trabalhos publicados na literatura científica.

Contribution of satellite cells to IGF-I induced hypertrophy of skeletal muscle

O aumento do tamanho do músculo esquelético – hipertrofia muscular – ocorre em resposta a demandas funcionais. Alguns modelos animais foram criados, como hipertrofia induzida por estiramento, ablação de musculatura sinergista e infusão ou super-expressão de IGF-1. Como o músculo esquelético é um tecido pós-mitótico, mudanças no volume do mesmo dependem de uma fonte externa de células mitoticamente ativas. As células que desempenham este papel são as células-satélites, situadas entre o sarcolema e a lâmina basal da fibra muscular. Elas podem se diferenciar em mionúcleos, mantendo a relação núcleos/sarcoplasma (dominímio mionuclear)constante mesmo durante o processo de hipertrofia. Além disso, quando o músculo esquelético aumenta em tamanho, é predominantemente devido à ativação, proliferação e fusão das células satélites às fibras pré-existentes, como acontece após lesão por aumento de tensão (p. ex. treinamento de força).

Os autores do presente trabalho observaram anteriormente que a expressão aumentada de IGF-1 no músculo promoveu hipertrofia significativa e aumento concomitante de força. Observaram também um aumento de fibras com núcleos centralizados, através de análise histológica. Isto é indicativo de fusão recente de mioblastos, que ocorre após a proliferação das células satélites. Desta forma, o objetivo do trabalho é determinar a contribuição das células satélites na hipertrofia induzida pelo IGF-1.

Para tanto, os autores utilizaram camundongos C57 divididos em três grupos: a)submetidos à radiação gama (X-ray : o que inibe a proliferação das células satélites); b) que super-expressam IGF-1 muscular (+IGF-1); c) com super-expressão do IGF-1 e submetidos à radiação gama.

Os resultados mostraram que os músculos +IGF-1 demonstraram maior massa muscular, quando comparados à para controle não tratada. Além disso, os músculos +X-ray tiveram uma massa reduzida, demonstrando que as células satélites são necessárias para o crescimento normal do músculo. Por fim, o aumento da massa muscular observada nos animais +IGF-1 foi prevenida pela radiação gama (+X-ray/IGF-1), conforme mostra a figura abaixo.

Em conclusão, o estudo de Barton-Davis et al (1999) nos mostra que as células satélites desempenham um papel crítico na hipertrofia induzida pela super-expressão do IGF-1. Entretanto, nos indica também que o IGF-1 exerce parte de seus efeitos hipertróficos via ação direta nas fibras musculares diferenciadas.

Referência: Barton-Davis et al. Contribution of satellite cells to IGF-I induced hypertrophy of skeletal muscle. Acta Physiol Scand 1999, 167, 301-305.

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Mecanismo de Captação de Creatina pelo Músculo Esquelético

Como os principais tecidos não são capazes de produzir a creatina (Cr), eles dependem de uma proteína para realizar o seu transporte do meio extracelular para o interior das células, o que ocorre contra um gradiente de concentração. Esta proteína foi identificada e denominada de CreaT, sendo caracterizadas duas isoformas da mesma: o CreaT1 e o CreaT2. Eles pertencem a uma família de transportadores de neurotransmissores dependentes de Na+/Cl-, denominada SLC6, ou solute carrier family 6 (GUIMBAL e KILIMANN., 1993). O CreaT2 (SLC6A10 – solute carrier family 6, member 10) é expresso apenas nos testículos, de modo que o CreaT1 (SLC6A8 – solute carrier class 6, member 8), por ter uma expressão mais ubíqua é considerado o principal transportador de Cr, razão pela qual é denominado simplesmente por CreaT.

O CreaT é uma proteína integral de membrana, com 12 domínios trans-membrana e aproximadamente 70,5 kDa, apresentando cadeia de 635 aminoácidos (SNOW e MURPHY, 2001). Sua estrutura é muito similar às dos transportadores de dopamina, GABA, taurina e noradrenalina, todos dependentes de Na+/Cl-. Três sítios de glicosilação foram encontrados ao longo da cadeia do CreaT, sendo dois nas alças extracelulares entre os domínios transmembrana 3 e 4 e um entre o 11 e 12 (SALTARELLI et al., 1996; SORA et al., 1994). Além disso, sítios de fosforilação foram identificados na terminação amino e carboxílica, bem como em alças intracelulares, totalizando cinco locais de fosforilação (SALTARELLI et al., 1996; SORA et al., 1994). Os estados de glicosilação e fosforilação da proteína são possíveis moduladores da atividade do CreaT e, conseqüentemente, da taxa de captação de Cr pela célula (NASH et al., 1994; ZHAO et al., 2002).

O CreaT foi identificado em diversos tecidos, como o músculo esquelético, cérebro, miocárdio, rins, testículos, fígado, pulmões, enterócitos, retina e eritrócitos (GUIMBAL e KILIMANN, 1993; SNOW e MURPHY, 2001; SPEER, et al., 2004; TOSCO et al., 2004; NAKASHIMA et al., 2004). Quanto à localização celular do transportador, foi demonstrado, através de imagem por fluorescência e análise imunohistoquímica, que o CreaT está localizado juntamente com a isoforma α1 da Na+/K+ ATPase e a enzima citrato sintase, presentes, respectivamente, nas membranas plasmática e mitocondrial (SNOW e MURPHY, 2001). O transporte da Cr através deste transportador utiliza um sistema de co-transporte com Cl- e Na+, com estequeometria de 2 Na+ e 1 Cl- por molécula de Cr transportada (GARCIA-DELGADO et al., 2001 e PERAL et al., 2002), utilizando a energia do gradiente eletroquímico do Na+, gerado pela Na+/K+ ATPase (GUERRERO-ONTIVEROS e WALLIMANN, 1998).

Mais estudos sobre a regulação da expressão e atividade do CreaT possibilitará a melhor compreensão dos efeitos da suplementação de creatina e, especialmente, auxiliará do tratamento de algumas patologias que envolvem o sistema, como doenças neurodegenerativas, miopatias, além das moléstias que levam a intensa perda de massa e função musculares.

Por Lucas Guimarães Ferreira

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Treinamento de força e síntese protéica muscular

Após uma sessão de treinamento de força, a taxa de síntese protéica mostra-se elevada de 2 a 5 vezes em relação aos valores de repouso, podendo se estender por até 48 horas em indivíduos alimentados (PHILLIPS et al., 1997). Após o exercício de força ocorre au