Madeira sustentável com a lama de Mariana

Com a lama, a professora Maria de Fátima Lelis (à dir.) e a mestranda Thaiany Canal Bressiani desenvolveram a madeira plástica. Foto: Acervo pessoal
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– Por Laís Santana –

Quatro universidades, incluindo a Ufes, desenvolvem pesquisa para produzir madeira sustentável com os rejeitos da barragem que se rompeu no município mineiro

Um projeto entre universidades mineiras e capixabas busca alternativas para lidar com os rejeitos de minério de ferro da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que se rompeu em novembro de 2015. No Departamento de Química da Ufes, pesquisadores desenvolvem uma madeira sintética feita a partir da lama da barragem como alternativa à matéria-prima tradicional. Os estudos fazem parte do Projeto Candonga, que tem a missão de propor soluções tecnológicas para problemas socioambientais e dedica-se a transformar em materiais de valor agregado os rejeitos da lama dragada pela hidrelétrica Risoleta Neves (MG), também conhecida como Candongas.

Na Ufes, o projeto conta com a orientação dos professores Maria de Fátima Lelis e Marcos de Freitas, e com a participação de cinco alunos de graduação, quatro de mestrado e três de doutorado. A partir da análise científica, surgiu a proposta de utilizar o rejeito para fabricar madeira plástica. “Estudos nos mostraram que essa lama possui características e propriedades interessantes”, aponta a professora Maria de Fátima. “A madeira plástica é obtida utilizando resíduo plástico – de embalagens, por exemplo –, lama e alguns aditivos”, completa.

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Após a tragédia de Mariana, projetos de pesquisa e de extensão da Ufes no Rio Doce identificam danos e apontam soluções para impactos ambientais e sociais. (confira na Revista Universidade 6, a partir da pág. 13).

Ao aproveitar resíduos já descartados, esse processo evita a geração de mais poluentes, além de atenuar o volume de detritos em aterros sanitários e nas barragens de contenção das mineradoras. A pesquisadora acrescenta que, a cada 30 m² de madeira sustentável produzida, uma árvore grande adulta é preservada e 180 mil sacolas plásticas são retiradas da natureza. O produto pode ser aplicado em mobília e objetos de decoração, brinquedos e até em construções leves, como postes, casas coloniais, fachadas, cercas, playgrounds e sustentação para fixar trilhos ferroviários.

A madeira plástica apresenta benefícios em comparação com a convencional. Segundo a professora, “é um material de fácil limpeza, que pode ser feita com água e sabão; não exige muita manutenção; o processo de obtenção da madeira, chamado moldagem, não é poluente; é resistente a fenômenos climáticos, como umidade, maresia e corrosão; é imune a pragas, como o cupim; não solta farpas, tem baixíssima dilatação e seu custo-benefício é obtido de médio a longo prazo”.

Além da Ufes, participam do grupo de pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM, no nordeste mineiro) e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

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