Big Bell Test

Realismo Local designa a hipótese filosófica de que as propriedades físicas existem independentemente de observações e que os sinais causais se propagam no espaço com velocidade menor ou igual à velocidade da luz.

O Realismo Local foi definido e defendido por Einstein-Podolsky-Rosen num artigo em 1935 [EPR1935] e foi discutido por John S. Bell num artigo em 1964 [Bell1964], no qual este mostrou que todas as teorias realistas locais devem satisfazer um conjunto de desigualdades, atualmente chamadas Desigualdades de Bell.

Podemos testar as desigualdades de Bell num sistema multipartido correlacionado usando detectores suficientemente rápidos e eficientes em situações experimentais randomizadas – o que é chamado Teste de Bell. Pois bem, a dificuldade está na garantia de randomização, já que o emprego de dispositivos físicos para produzir isso depende do Realismo Local. Para contornar essa dificuldade, pode-se empregar a escolha humana – e o experimento torna-se tanto mais confiável quanto maior for o grau de randomicidade garantida.

A Big Bell Collaboration (BBC) elaborou e realizou um Teste de Bell [BBTC2018] combinando 12 laboratórios em 5 continentes (incluindo um laboratório brasileiro), nos quais foram realizados 13 experimentos ao longo de 12h com sistemas bipartidos e tripartidos, sendo a randomicidade obtida pela colaboração de cerca de 100.000 pessoas. Esses colaboradores geraram cerca de 1000 bits por segundo, dos quais foram determinadas as situações experimentais – totalizando 97.347.490 escolhas binárias.

O esquema contornou o chamado “liberdade de escolha circular” [freedom-of-choice loophole], i.e., a possibilidade de que as escolhas das disposições experimentais sejam influenciadas por variáveis ocultas correlacionadads às propriedades do sistema físico mensurado.

Como resultado do teste, foram obtidas violações das desigualdades de Bell com alto grau de confiança estatística – o que significa a refutação do Realismo Local, bem como de outras formulações realísticas.

  • [BBT2018 zip] The Big Bell Test Collaboration (2018): Challenging local realism with human choices. Nature, volume 557, pp.212–216. DOI:10.1038/s41586-018-0085-3.
  • [EPR1935] Einstein, A; B Podolsky; N Rosen (1935): Can Quantum-Mechanical Description of Physical Reality be Considered Complete? Physical Review. 47 (10): 777–780. DOI:10.1103/PhysRev.47.777.
  • [Bell1964] Bell, J. S. (1964): On the Einstein–Podolsky–Rosen paradox. Physics 1, 195–200.

Fraude Acadêmica

Harvard é uma das universidades mais prestigiadas do mundo, no entanto:

  • “No começo dos anos 1950 a comunidade médica americana estava incomodada com o rápido aumento nas taxas de doenças cardiovasculares. Suspeitava-se que o algo consumo de açúcar pela população era, ao menos em parte, responsável pelo fenômeno. A associação parecia coisa certa até três professores da Universidade de Harvard publicarem um artigo na revista New England Journal of Medicine (NEJM) que redimiu a substância doce. De acordo com o trabalho, havia relação entre doenças cardíacas e dieta, mas omelhor que se poderia fazr para proteger o coração era reduzir o consumo de colesterol e gorduras saturadas. / O trabalho feito pelos pesquisadores de Harvard fez a gordura ocupar o lugar de vilã soliltária por décadas. Hoje, sabe-se que o açúcar desempenha papel importante nas doenças cardiovasculares. Em 2016, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco tiverem acesso a documentos antigos que revelaram que os pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco tiveram acesso a documentos antigos que revelaram que os pesquisadores de Harvard receberam na ocasião US$49 mil cada um de uma fundação de empresas produtoras de açúcar.” (Rafael Ciscati: Uma voz contra a indústria. Revista Época, no.1030 (26.03.18): pp.64-69.)

Sugestão de leitura:

  • Marion Nestle: Food politics – How the food industry influences nutrition and health.
    • Rafael Ciscati: Uma voz contra a indústria. Revista Época, no.1030 (26.03.18): p.69: “Explora as táticas usadas pelas empresas para conquistar os consumidores, influenciar o trabalho de agências reguladoras e cientistas e, eventualmente, destruir a reputação de pesquisadores.”

Valor e Sabedoria

  • “Uma mosca sem valor
    pousa com a mesma alegria
    na careca de um doutor
    como em qualquer porcaria.”
    (Aleixo)

Tenho duas interpretações desse breve poema, dependendo da mosca representar uma pessoa ou uma ideia.

Interpretando a mosca como pessoa, sua falta de valor significa carecer de discernimento para distinguir virtude e vício, nobre e degradante, o que é bom e o que é ruim, o bem e o mal.

Interpretando a mosca como ideia, sua falta de valor significa que pode ocorrer indistintamente na mente de sábios e tolos. Nesse caso, os sábios se distinguem dos tolos pela capacidade que aqueles têm de gerar boas ideias – pois ideias tolas, todos as temos.

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Realidade, sabedoria e etc.

Há pessoas que confundem realidade com uma caricatura ou ilusão dela, cujo caráter pode variar de doce e desejável ao amargo e repugnante. Esse é um tema que remonta aos primórdios da filosofia, tendo sido um dos focos da filosofia socrática e tema da notória alegoria da caverna de Platão.

  • O oráculo de Delfos havia dito a Sócrates que ele era o mais sábio de todos os homens, pelo que Sócrates procurou saber se isso era verdade investigando seus contemporâneos – mas acabou concluindo que o deus de Delfos o considerava o mais sábios dos homens porque era o único que tinha consciência da própria ignorância, enquanto todas as pessoas notáveis acreditavam saber de coisas que realmente não sabiam.
    • “Assim, prossigo agora nessa busca, investigando, segundo o comando do deus, todo indivíduo, cidadão ou estrangeiro, que julgo ser sábio. Então se não julgo que é, presto assistência ao deus e mostro que a pessoa não é sábia.”
      (Platão: Apologia de Sócrates. Tradução: Edson Bini. Edipro: São paulo, 2011: p.36)

As discussões raramente ultrapassam o nível retórico, e quando isso acontece dificilmente a razão vence devido ao despeito ou mera hipocrisia. Sintoma dessa condição é o seguinte comportamento, tão estúpido e comum: argumentar contra alguém ou grupo com base no que se acredita serem as verdadeiras e ocultas razões para algo que essa pessoa ou grupo tenha dito ou feito. Assim, costumamos ouvir declarações do seguinte tipo: “Fulana aceitou o trabalho só para parecer boazinha”; “Sicrano não enfrentou a situação porque não tem culhão”; “Ele desconversou porque tinha medo do que eu poderia dizer”; etc. Como alguém pode saber o que se passa na mente de outras pessoas e conhecer suas reais razões por indícios tão fracos, especialmente quando há algo em disputa? Se formos levar a sério tais argumentos, precisaríamos primeiro acreditar que a maioria de nós possui clarividência ou a capacidade de ler mentes alheias! Acho mais provável que a maioria de nós não sabe o que se passa na própria cabeça, nem o que realmente fará quando houver ocasião de fazer.

Num debate, geralmente vence aos olhos do público quem fala mais grosso, mais alto ou de forma mais pedante (i.e., com ar de possuir elevada moral, vasto conhecimento, grande sabedoria ou qualquer característica que possa despertar admiração da turba – até mesmo ignorância, brutalidade ou depravação). Não raro, as disputas revelam traços de violência, geralmente verbais ou limitadas às ameaças hipotéticas – aquelas velhas ladainhas: “se fosse comigo, eu teria dito/feito isso e aquilo”, “caso se metam comigo, vão saber do que sou capaz”, “da próxima vez, vai ter troco”, etc. Sinceramente, pode até ser que tudo isso seja inofensivo na medida em que é apenas efeito e não a causa da nossa mediocridade; mesmo assim, não deixam de ser deprimente…

O custo da incompetência

A incompetência pode sair caro!

Infelizmente, muitos estudantes universitários parecem não estar muito preocupados com a qualidade de sua formação acadêmica. Não dedicam ao aprendizado o devido tempo, atenção e esforço; conversam durante as aulas e reclamam da quantidade das tarefas; há os que copiam trabalhos, colam nas provas e até hostilizam professores.

Também há os que optam pelas faculdades privadas em detrimento das públicas porque nestas serão exigidos um mínimo de empenho para serem aprovados nas disciplinas.

Qual é o efeito?

Desperdício de tempo e recursos econômicos; frustração dos que  pagam pelo trabalho de incompetentes (por não terem ou conhecerem alternativas), danos patrimoniais, danos morais, danos físicos e até mortes!

Mortes?

Sim, pois a cada 3 minutos 2 pessoas morrem no Brasil por causa de falhas médicas evitáveis:

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2016/10/26/a-cada-3-minutos-mais-de-2-brasileiros-morrem-por-falhas-medicas-evitaveis.htm

Mesmo que metade dessas mortes possa ser atribuída, em última instância, às péssimas condições de trabalho dos médicos e enfermeiros nos hospitais, ainda assim, seria demasiado que uma morte a cada três minutos decorresse de falha médica.

Barbaridade: vontade de vingar!

Vontade de vingar! Fico imaginando se não vi isso recentemente…

  • “A ética do bárbaro é a ética do dente por dente, do olho por olho. É a ética da vingança, é a norma do que deseja apenas o castigo, do sádico que só se satisfaz ao ver o adversário morder o pó da derrota. Não é o que vence e dá a mão para levantar o vencido. Não é o que busca a solução que o tornará amigo de seus semelhantes. Não é o que ama, mas o que odeia.”
    Mário Ferreira dos Santos: Invasão Vertical dos Bárbaros. É Realizações Editora: 2012: p.71

Barbaridade: falta de vontade de estudar!

Fico imaginando se não é um sinal de barbarismo a aversão que muitos alunos de graduação em ciências exatas têm às demonstrações mais elementares da Matemática, aversão que significa recusa absoluta em conhecer as razões subjascentes aos conceitos e técnicas de cálculo aplicados nas disciplinas básicas.

  • O bárbaro é o que sabe sem saber o porquê do que sabe; o civilizado, o que sabe, sabendo o porquê do que sabe. Só há ciência quando se sabem os porquês próximos e remotos de uma coisa, de suas causas, de suas razões.” “O perigo da pedagoria moderna, em seus aspectos negativos, consiste em julgar que basta apenas informar bem o educando para atingir o conhecimento, quando a verdadeira pedagogia consistiria em dar a este a capacidade de, por si mesmo, investigar as causas, as razões, os porquês das coisas. Eis aqui um tema de máxima importância e que merece de nós uma atenção mais cuidada: o problema pedagógico sob o aspecto da formação mental do homem. Não deve ser a primacial finalidade da pedagogia consgtruir mentes capazes de investigarem os porquês, as causas e as razões das coisas, ou apenas formar mentes medíocres, eruditas de certo modo, mas sem saberem por si mesmas alcançar as causas das coisas?”
    Mário Ferreira dos Santos: Invasão Vertical dos Bárbaros. É Realizações Editora, 2012: p.43.

 

Ensino e Programação

A programação, no sentido de escrever algoritmos ou códigos de computador, pode contribuir significativamente para o ensino e aprendizagem, particularmente para o ensino e aprendizagem da Matemática?

Acredito que sim! Alguns aportes:

  • Lúcio S. Fassarella: Resolução Computacional de Problemas de Probabilidade. Proceedings Series of the Brazilian Society of Computational and Applied Mathematics, v.3, n.2 (2015): 020129 [6 pages]. ISSN:2359-0793. DOI:10.5540/03.2015.003.02.0129.
  • S. Li, D. Wang, J.-Z. Zhang: Symbolic Computation and Education. World Scientic: 2007.
  • Kids as coders. URL!
  • Mitch Resnick: Let’s teach kids to code. TEDxBeaconStreet, November 2012. URL!
  • Torgeir Waterhouse: Teach Kids code. TEDxOslo, January 2015. URL!
  • https://code.org/ (Site sem fins lucrativos que tem por objetivo tornar acessível o aprendizado de programação.)
  • http://www.codekids.ca/ (Code Kids documenta um movimento popular liderados por cidadãos de New Bunswick, Canadá, que busca inspirar estudantes, educadores, decisores de políticas públicas e o público em geral a adotar a tecnologia nas escolas de ensino fundamental e médio.)
  • http://www.bbc.co.uk/schools/0/computing/ (Ações da BBC para computação na escola.)
  • https://www.edsurge.com/ (Página Teaching Kids to Code.)
  • http://www.vmps.org/ (Texto Kids as Coders.)

Ambientes de Programação