O Brasil se despede de Lelé

lele

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/602205/falece-joao-filgueiras-lima-o-lele

Nesta semana, no dia 21 de maio, faleceu um dos maiores expoentes da arquitetura brasileira. José Filgueiras Lima, o Lelé, nasceu no Rio de Janeiro, mas radicou-se em Salvador e desenvolveu obras em todo o país. O arquiteto e urbanista foi um dos protagonistas da arquitetura modernista do Brasil; participando da construção de Brasília ao lado de Niemeyer e Lúcio Costa.

 

Ao longo de sua carreira, Lelé conseguiu desenvolver uma linguagem própria, pautada no clima e nas tecnologias construtivas. Nas obras do arquiteto, a arte caminhava ao lado da pré-fabricação. Conhecido pelas suas obras únicas, Lelé foi o responsável pelos projetos da rede Sarah de hospitais, cujos telhados estão presentes na memória de todo estudante de arquitetura desde século.

Centro de Reabilitação Sarah Kubistcheck no Lago Norte, em Brasília (DF). Projeto de João Filgueiras Lima (Lelé). Foto de Nelson Kon. Fonte: http://www.caubr.gov.br/?p=23547

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encontro bem sucedido da plástica com a funcionalidade, os projetos de Lelé transformaram o olhar dos arquitetos e urbanistas para a dimensão da escala humana em obras alinhadas a industrialização. Para além da esfera artística e da técnica de erguer edifícios, Lelé também tinha interesse nos problemas sociais brasileiros. O arquiteto dedicou parte do seu trabalho as questões sociais, buscando resolver problemas da habitação.

O Patri_Lab destaca dois projetos recentes do arquiteto, elaborados para a cidade de Salvador. Ambas as propostas – a urbanização de Pernambués e o Conjunto habitacional para Cajazeiras tratam-se de projetos que buscam compreender a dinâmica do local de implantação; bem como a simplificação do método construtivo.

O projeto para o Conjunto habitacional de Cajazeiras, trata-se de um conjunto situado na favela das Cajazeiras, cujos edifícios erguidos em estrutura metálica e argamassa armada foram elaborados como alternativa ao programa habitacional do Governo Federal – o Minha Casa, Minha Vida. O sistema construtivo adotado, pré-moldado, simplifica o canteiro de obras, reduzindo o processo produtivo a montagem dos operários, auxiliados por uma mini fábrica.

Projeto do arquiteto para a favela de Cajazeiras - fonte -piniweb

Proposta para o conjunto habitacional das Cajazeiras.
Fonte: http://piniweb.pini.com.br/construcao/arquitetura/lele-projeta-duas-propostas-para-o-minha-casa-minha-vida-220098-1.aspx

Proposta do arquiteto para favela de Pernambués

Proposta para a favela de Pernambués. Fonte: http://piniweb.pini.com.br/construcao/arquitetura/lele-projeta-duas-propostas-para-o-minha-casa-minha-vida-220098-1.aspx

A proposta para Pernambués, também elaborada para atender ao programa Minha Casa, Minha Vida, inclui creche, escola e áreas de lazer. Em entrevista a revista online Piniweb, onde discorre sobre este projeto, Lelé ressalta a importância do uso misto: “Habitação não é só o lugar onde você mora, é um conjunto de coisas que fazem você sobreviver, inclusive o trabalho. Em Salvador, onde a economia informal tem um peso forte, é impossível pensar uma proposta como essa sem levar em consideração todos os parâmetros”.

Ademais, as propostas contemplam o local, assumindo o modo de vida dos usuários e relembra aos arquitetos brasileiros, que sim, é possível aliar arte, técnica, racionalização e qualidade.

Fica aqui o registro do trabalho de José Filgueiras Lima, o Lelé. O Patri_Lab lamenta a grande perda para o país.

 

Luciana

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